segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O Jantar é, como sempre, apenas um pretexto


Foi em Setembro de oitenta e sete do século passado que algumas dezenas de licenciados em Educação Física abandonaram o ISEF-UP para onde tinham ido como caloiros, em Setembro de oitenta e dois e se espalharam pelas escolas EB 2/3 e Secundárias deste País, do Minho ao Algarve, da Madeira a Trás-os-Montes. Mil novecentos e oitenta e dois foi o ano em que para entrar no ISEF-UP as exigências aumentaram, desde as subidas de bicos nas paralelas, à subida de frente e volta de barriga na barra fixa, aos três estilos na natação, passando por dois desportos coletivos obrigatórios e provas de atletismos de alguma exigência, com saltos, lançamentos e corridas, tudo nós tivemos de realizar para aceder ao curso dos nossos sonhos. Para isso, durante o mês de Agosto treinou-se no duro e criaram-se laços de amizade que perduraram no tempo. Tínhamos, para “nos” treinar, especialistas nas mais diversas modalidades que ajudavam os “trepos” como eu que chegaram lá a saber “apenas” jogar futebol. Quem não se lembra de ter sido ajudado pelo Artur Pereira ou pela Paula Oliveira na ginástica; pela Paula Santana ou pelo Nuno Lobo, na natação; pelo Tó Ferreira no Voleibol; pelo Carlos Pinto ou o Zito, no basquetebol; pelo Alcino, o Rolim ou o Rui Moreira no Atletismo; pela Céu no andebol. Houve por certo muitos outros a ajudar e a serem ajudados, todos imbuídos do mesmo espírito, e quem como eu, não podia ajudar com conhecimentos, ajudava com incentivo e com “quedas aparatosas em exercícios gímnicos”, ou estilos de “mantém-te á tona na natação”, que no mínimo ajudavam a melhorar o humor dos outros candidatos.
Muitos anos depois, “inventamos” mais um jantar para nos juntarmos. De há quatro anos a esta parte que o fazemos anualmente, este foi o 5º consecutivo (Gaia, Marina do freixo, Espinho, Braga, Famalicão) sendo o jantar apenas um pretexto para reunir “juventude” de há vinte e cinco anos que passou alguns dos melhores anos da sua vida em comunhão de lutas e ideais pelo desporto e pela educação física, e agora, um quarto de século passado, já numa luta diferente, pela educação no seu todo, muitos em cargos diretivos em inúmeras escolas deste país.
O reencontro sempre marcado pela alegria de vermos alguns “espécimes” que não puderam vir nos últimos anos, ou outros, que não víamos desde o terminar do curso, é sempre motivo de animadas conversas em que se relembram…encontros e desencontros com duas e três décadas de vida. Neste jantar tivemos gente de Bragança, da Madeira, de Santarém, de Braga, de Ovar, de Espinho, de Barcelos, do Porto e arredores, e como não podia deixar de ser, de Famalicão, local do evento gastronómico. Não sei se é da minha vista, já uso óculos como muitos outros, mas “as gajas”, como diria o “Forcinha” parece que saíram da Universidade há pouco tempo, e nós “os gajos”, alguns carecas, outros com inúmeros cabelos brancos, e outros ainda com barriguinha de tudo, menos de Profs de Educação Física, nem parecemos saídos da mesma fornada, que elas. Talvez por isso, um manjar que estava previsto ficar por treze euros mais as bebidas, ficou no final por vinte e quatro …por causa das bebidas. E sinceramente não percebo porquê, pois água, só havia na mesa…três garrafas de litro para trinta pessoas. Ou talvez tenha sido por isso…por só se ter bebido…essa água.
Com abreijos aos que estiveram presentes e ABREIJOS maiores ainda, aos que não puderam estar por motivos de força maior, despeço-me com um até pró ano pessoal, num qualquer restaurante deste País…ou ilhas.

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