sexta-feira, 23 de novembro de 2007

"Pai de peixe……deixe-o jogar”


Como pai, professor e treinador de futebol, sinto-me “apto” a abordar um assunto que afecta seriamente o desenvolvimento desportivo e social de muitos jovens atletas… filhos de ex-atletas, e não só. Dirijo-me aos pais, essencialmente aos ex-praticantes das modalidades que os seus filhos agora abraçam, por vontade própria, ou incentivados pelos progenitores. Lembrem-se sempre, que são eles os praticantes, são eles que sofrem e “brilham” com os seus (deles) (in)sucessos. O vosso (nosso) papel, deve ser apenas o de criar e dar condições para o sucesso, salientando de entre elas: Sempre que necessário disponibilidade para levar, ir buscar aos treinos/jogos; nunca usar o desporto como prémio/castigo em função dos resultados escolares, desde que haja uma co-responsabilização, há tempo e espaço para tudo; ver jogos/treinos, mas não ser “ferrinho” em todos os fins-de-semana, dando-lhes espaço/tempo para crescerem, sem a nossa presença; quando presentes nos jogos, deixarmos que eles decidam de acordo com o que treinaram durante a semana, e não de acordo com o que nós pensamos ser o melhor para a situação. É que às vezes (muitas), o que nós pensamos ser o melhor, vai contra as directrizes do treinador. E, porque o senti algumas vezes na pele como treinador, e tento não o fazer agora como pai, gostaria de me alongar um pouco neste particular. Se levamos o nosso filho para um clube, e o “entregamos” nas mãos de um treinador, isso implica: Confiar que ele é a pessoa ideal para educar o nosso filho; querermos que o nosso filho o admire e respeite, pois só assim pode acreditar nele, e seguir as suas instruções; no caso de discordarmos do treinador, solicitar-lhe uma conversa particular, tentando perceber os motivos da divergência, de forma a melhor podermos ajudar. Nunca esquecerei um pai, que no meu primeiro ano de treinador, acompanhou o filho durante a 1ª semana de treinos, e no final me disse: “Tão cedo não me volta a ver por aqui. Esta semana serviu para saber nas mãos de quem entregava o meu filho, pois vai estar com ele diariamente, mais tempo do que eu, e tinha de saber a quem confiava a sua educação desportiva”.
A investigação diz-nos que os atletas cujos pais exercem menos pressão sobre a sua actividade desportiva, são os que mais se divertem e usufruem da actividade, o que, digo eu, é meio caminho andado para que tenham sucesso, não o que nós queremos, mas o que eles procuram.

Um comentário:

Anônimo disse...

Concordo plenamente! muitos jovens praticam um certo esporte simplesmente por imposição dos pais ou pra tentar realizar o sonho deles e acabam frustrados e frustrando seus pais por não ter o dom para coisa.